Samba do Approach 

Os amigos leitores se deslocam todos os dias até o seu lugar de trabalho enfrentando o trânsito, talvez pegando ônibus ou trabalhando no sistema home office

Depois de algumas horas de trabalho, gosta de um brunch ou fica só com o lunch? Ou mal tem tempo para um meal break? Durante o trabalho costuma receber um feedback sobre suas atividades? 

Aprecia um bom hot dog ao final do dia? É possível que ultimamente prefira algo light. O leitor ou a leitora pode também ser uma pessoa cool

E se for mesmo uma pessoa que tem savoir-faire, percebe logo quando algo é trash. Voltando ao final do dia, é provável que goste de ouvir no caminho de casa um pop star e feche o dia tendo um insight e tomando um drink

Ao chegar à noite e à madrugada, talvez embalado pelo sono, sinta-se num ferryboat

Alguém poderia até perguntar o que está acontecendo com a língua portuguesa. Afinal de contas, o número de expressões estrangeiras assumiu proporções incríveis em nosso dia a dia. 

O conceito de estrangeirismo explica que, com a globalização, muito da cultura e muitas palavras de outros países se incorporaram ao nosso vocabulário. 

A coluna não está criticando o uso de expressões estrangeiras em nosso cotidiano. Em vez disso, tenta compreender até que ponto isso é eficaz em nosso léxico. 

Aliás, léxico é o conjunto de todas as palavras e expressões que formam nossa língua – nosso vocabulário. 

Há poucos dias iniciei com uma turma do 9º ano, da escola Zulma Becker, em Santo Amaro da Imperatriz, o conteúdo de estrangeirismo. 

Ao preparar as aulas, encontrei uma maravilhosa música de Zeca Baleiro, de 1999, que fazia tempo que não ouvia: Samba do Approach, que também ganhou notoriedade na voz de Zeca Pagodinho. 

Zeca Baleiro faz uso de quase 15 palavras estrangeiras em sua música, apontando um exagero em seu uso no dia a dia. 

As opiniões variam quando o assunto é estrangeirismo. Será que ele desvaloriza a nossa língua portuguesa ou será que amplia nossos horizontes, nos fazendo conhecer melhor outras línguas e culturas? 

Savoir-faire, expressão francesa que significa “saber fazer” ou “ter jogo de cintura”, é com certeza uma dica de como lidar no dia a dia com os estrangeirismos – e mesmo com o seu uso excessivo. 

Fazer este approach (abordagem ou aproximação) aqui na coluna é delicado. Aliás, escrever uma coluna sempre é algo delicado, porque espera-se que o colunista apresente a sua opinião. 

Meu nome, como pode-se perceber, vem de outra língua, assim como dos meus seis irmãos homens. 

Mas confesso que há muito tempo sinto vontade de abrasileirar várias expressões e me pergunto até que ponto os outros têm obrigação de entender cada expressão estrangeira. 

Sobre quantas palavras existem na nossa Elegantemente Portuguesa Língua, há estudos que mostram entre 380 a 440 mil palavras. 

Mas a coluna, respeitando o nosso processo de redemocratização, deixa a critério de cada falante a escolha de palavras em nossa super diversificada comunicação – e convida todos a ouvirem: Samba do Approach

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