Eu não aguento mais. Esta tem sido a frase mais dita ao longo dos dias, com os olhos inchados e o coração angustiado. O fardo é pesado demais para carregar sozinha, pois (o filho[a] é da mãe).
Acordo cedo chorando e vou dormir tarde chorando. Não sei o que fazer. Rayssa tem 5 anos e é não verbal, com TEA (Transtorno do Espectro Autista) de nível 3. Só chora, grita, roda e corre sem parar. Se ela não para, eu também não paro.
Estou acordando tão exausta e sem esperança, pedindo ajuda a Deus para sobreviver a mais um dia. Mais desafios surgem antes mesmo de o sol aparecer, com choros e aflições por toda a casa. Não sei mais o que fazer; às vezes, nem sair de casa posso. Faz tempo que não sei o que é caminhar na rua, comer em paz ou tomar um banho tranquilo.
Ela se coloca em perigo a todo instante; já pulou a janela e fugiu de casa várias vezes. Já foi para o pasto ao lado da casa da avó e levou uma cabeçada de um boi, saindo rolando e ficando apenas com arranhões. Já mastigou caco de vidro, e até hoje não sei como consegui tirar da boca sem cortar. Só Deus mesmo; não há outra resposta. Já tomou banho de kiboa e tantas outras coisas, já sobreviveu. Deus livrou.
Imagina o que passa na cabeça dessa mãe! O que devo esperar? Como ter esperança de melhora?
Mais de 4 anos esperando o retorno com a neuro pela fila do SUS e nada. Precisa trocar de medicamento, mas o médico não sabe o que posso dar para ela. Angústia, muito medo e cansaço. A solidão, a desesperança, a forte depressão batem à porta a todo instante. Preciso de ajuda, mas quem liga?
Por que há tantas crianças autistas no mundo? Por que tanta tristeza e dor? Por que ninguém ajuda? Sei que não sou a única a passar por isso e que há famílias com quadros bem piores que o meu.
Mas não quero que minha família seja notada somente após aparecer em uma matéria de jornal mostrando mais uma tragédia. Nos ajudem, ajudem as famílias atípicas!
Por mãe atípica anônima
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