O problema é real e envolve toda a sociedade. Quando pensamos em morte, logo nos vêm
à mente doenças, acidentes ou crimes. Mas para muitas famílias, a causa é ainda mais
dolorosa e quase incompreensível: o suicídio. Se para os familiares a situação já é
devastadora, imagine para as próprias vítimas.
Há quem chegue a um estado emocional e psicológico tão conturbado que acredita ser a
morte sua única saída. Enquanto alguns conseguem enfrentar sentimentos difíceis, outros
não encontram alternativas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2025
mais de 720 mil pessoas tiraram a própria vida no mundo. Estima-se, porém, que o número
real ultrapasse 1 milhão por ano, devido a tabus culturais e religiosos. No Brasil, a média
anual é de 14 mil a 15,5 mil casos — cerca de 38 a 42 por dia.
É importante compreender: quem decide pelo suicídio não o faz por falta de fé, de amor à
vida ou de vínculos afetivos. Trata-se de alguém doente emocional e psicologicamente, que
precisa desesperadamente de ajuda profissional, mesmo sem perceber. A OMS aponta
que, para cada pessoa que morre por suicídio, há pelo menos 20 a 25 que já tentaram.
Infelizmente, ainda se ouvem frases preconceituosas como “quem se mata não tem Deus”
ou “não tem fé”. Nada poderia estar mais distante da realidade. Ninguém tira a própria vida
por estar feliz. Quem pensa em suicídio o faz porque não vê saída. Mas há saída.
O nosso papel
Podemos estar em qualquer lado dessa história. Se pensamos em tirar a vida, precisamos
buscar ajuda. Ela existe: CVV – Centro de Valorização da Vida (188), UPA, UBS, CAPS
(Centro de Atenção Psicossocial). Para quem convive com alguém que já tentou ou fala em
suicídio, é fundamental agir de imediato. Não basta dizer “vai ficar tudo bem” ou listar
conquistas materiais. Isso pode empurrar ainda mais para o abismo. É necessário
encaminhar a pessoa a um profissional de saúde e acompanhar seu tratamento.
Lembre-se, caro leitor: só no Brasil, cerca de 40 pessoas por dia não suportam um
sofrimento invisível para a maioria de nós. Que não nos lembremos disso apenas em
setembro, mas todos os dias. É preciso atenção aos nossos sentimentos e aos de quem
amamos. Ninguém tenta ou tira a vida por estar simplesmente chateado. Trata-se de uma
vítima de dor emocional e psicológica, que precisa de ajuda e compreensão.
Independente do problema ou da dor, existe ajuda. O primeiro passo deve ser em favor da
vida. Um passo não contra ela, mas pela vida.


