Caso Vorcaro aumenta a pressão sobre o STF erepercute no Senado

Por Jornalista Maria Helena
As informações publicadas pela imprensa nacional sobre as mensagens
encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro acrescentam um
novo e grave capítulo ao caso Banco Master.
A PF identificou pelo menos 28 mensagens enviadas pelo então banqueiro a um
número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal,
nos dias que antecederam sua prisão, em novembro de 2025.
Vorcaro demonstrava saber que alguma medida estava sendo preparada.
Perguntou se já deveria estar fora do país na segunda-feira e quis saber se havia
possibilidade de bloquear a ação. Dois dias depois, foi preso no Aeroporto de
Guarulhos, quando se preparava para deixar o Brasil em um avião particular.
As mensagens também mostram a tentativa de Vorcaro de ganhar tempo. Ele
perguntou se Moraes poderia conversar com o diretor-geral da Polícia Federal,
Andrei Rodrigues, para adiar a operação. O argumento era de que alguns dias
seriam suficientes para evitar a quebra do banco.
O então banqueiro também citou o procurador-geral da República, Paulo Gonet,
e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Queria saber o que cada um
conhecia sobre a situação e se havia alguma forma de impedir o avanço das
medidas.
Chama a atenção o tom utilizado por Vorcaro. Ele pediu encontros, manifestou
profunda gratidão e escreveu como alguém que acreditava ter acesso direto a
autoridades importantes da República.
Há, porém, uma questão que precisa ser considerada. O material divulgado
apresenta principalmente as mensagens enviadas pelo banqueiro. As respostas
do interlocutor não foram recuperadas. Também não está comprovado, até
agora, que os pedidos tenham sido atendidos.
Isso não diminui a gravidade do caso. Ao contrário, mostra o quanto ainda precisa
ser esclarecido. Quem recebeu as mensagens? O que respondeu? Os encontros
solicitados ocorreram? Vorcaro teve acesso antecipado a informações sobre a
operação? Houve alguma tentativa de interferência na Polícia Federal, na
Procuradoria-Geral da República ou no Banco Central?
Em março, Moraes negou que outro conjunto de mensagens divulgadas fosse
dirigido a ele. Sobre as novas informações, ainda não havia se manifestado.
A repercussão foi rápida no Senado. O senador catarinense Esperidião Amin,
afirmou que “a represa estourou” e defendeu a abertura de um processo de
impeachment contra Alexandre de Moraes. Ressaltou que não estava
antecipando uma condenação, mas cobrando a apuração dos fatos e uma
posição dos senadores.

Amin também anunciou que pretende apoiar o pedido de impeachment que
poderá ser apresentado pela senadora Damares Alves e criticou a possibilidade
de o Senado ignorar as denúncias.

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