Em formato inédito após o Jornal Nacional, presidenciáveis enfrentaram cobranças sobre
economia, investigações e funcionalismo público.
A corrida presidencial de 2026 ganhou contornos definitivos na última semana com a
rodada de sabatinas realizada pela Rede Globo. Entre os dias 24 e 29 de agosto, os seis
candidatos mais bem posicionados na pesquisa Quaest foram testados ao vivo por Renata
Vasconcellos e César Tralli em um novo horário nobre, logo após o principal telejornal do
país.
O balanço das participações, consolidado por analistas e colunistas políticos no fim de
semana, apontou o atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, como
o de melhor desempenho prático, atingindo a nota média de 3,0 (em uma escala até 5,0).
Na sequência, destacaram-se Renan Santos, com média de 2,6, e Flávio Bolsonaro, com
2,4.
O desempenho e os alvos de cada candidato
● Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Sustentou o discurso em defesa dos programas
sociais. Foi pressionado em temas éticos e fiscais, respondendo a perguntas sobre
investigações da Polícia Federal envolvendo seu filho e sobre o teto de gastos do
INSS. Declarou que não haverá privilégios a familiares em eventuais apurações
legais.
● Renan Santos (Missão): Focou em uma agenda de perfil estritamente técnico. O
candidato defendeu o corte de despesas, a desvinculação de pisos constitucionais
para áreas como saúde e educação — visando transferir recursos para infraestrutura
— e a urgência de uma nova reforma previdenciária.
● Flávio Bolsonaro (PL): Pautou sua fala na flexibilização das leis trabalhistas e no
controle da dívida. Mostrou-se contrário ao fim da escala de trabalho 6×1 e enfrentou
o momento mais tenso da sabatina ao ser questionado sobre investigações da PF
associadas ao Banco Master.
● Romeu Zema (Novo): Utilizou o tempo para apresentar Minas Gerais como modelo
de gestão e geração de empregos. Agências de checagem, contudo, apontaram
omissões de dados pelo candidato a respeito da real situação da dívida mineira e da
evolução das matrículas em tempo integral.
● Ronaldo Caiado (PSD): Teve a segurança pública como espinha dorsal da
entrevista. Expôs os índices criminais de Goiás como principal credencial para o
plano federal, defendendo o fechamento e a vigilância rígida de fronteiras.
● Augusto Cury (Avante): Centralizou o debate no impacto do avanço tecnológico.
Propôs a criação inédita de um Ministério da Inteligência Artificial e Robótica,
alertando para o risco de desemprego em massa caso o mercado de trabalho não
seja reestruturado.
As entrevistas estabelecem o tom das plataformas econômicas e sociais que vão
guiar o horário eleitoral gratuito.

