Na divisa entre São José e Palhoça, o Rael Pet Center se tornou referência no acolhimento e reabilitação de cães de grande porte. À frente do projeto está Adriano Scheidt, conhecido como Rael, que alerta para os impactos de uma nova proposta de lei sobre o uso de ferramentas de contenção.
A polêmica do enforcador e das coleiras eletrônicas
Tramita no Senado o projeto de lei nº 1146-223, que prevê a proibição da fabricação, comercialização e uso de equipamentos como o colar liso (enforcador), coleiras eletrônicas, coleiras antilatido e até mesmo modelos que vibram. A proposta inclui multas pesadas para quem descumprir a norma.
Para Rael, a medida pode comprometer o trabalho de adestradores, clínicas veterinárias e até da polícia militar, que utilizam tais ferramentas em situações de risco. “Esses equipamentos, quando usados por profissionais, não têm a intenção de causar sofrimento, mas sim de garantir segurança”, explica.
Ele alerta que, sem ferramentas adequadas, aumentará o abandono e a dificuldade de socialização de raças como pitbulls e rottweilers, gerando problemas futuros para a sociedade. “Hoje já temos mais de 80 pitbulls abandonados aqui. Se essa lei passar, esse número pode dobrar em poucos anos”, afirma.
Estrutura e protocolos de acolhimento
O Rael Pet Center mantém contratos com as prefeituras de Palhoça e São José, além de atender ONGs e protetores independentes. A maioria dos animais acolhidos são pitbulls e raças de grande porte, embora também haja cães médios e pequenos.
O protocolo de entrada inclui banho, vermífugo, controle de parasitas e avaliação de saúde e comportamento. Os cães passam por quarentena e, dependendo do perfil, podem ser integrados em grupos ou mantidos como cães solo em baias maiores, com enriquecimento ambiental, brinquedos e rotina de passeios.
“Nosso objetivo é reabilitar os animais para que possam voltar ao convívio social e familiar. Cada cão é um indivíduo, com temperamento próprio, e precisa ser respeitado”, destaca Rael.
O processo de adoção
O centro realiza entrevistas com as famílias interessadas para avaliar o ambiente e definir o perfil adequado do cão. São analisados fatores como altura do muro, presença de crianças e rotina da casa. A partir disso, a equipe sugere opções de cães que melhor se encaixam no perfil da família.
Rael reforça a importância de combater o preconceito contra determinadas raças. “O pitbull não é naturalmente agressivo. Cada raça tem características próprias que precisam ser compreendidas. Muitos desses cães são brincalhões e protetores, e podem conviver bem em família”, afirma.
Desmistificando mitos
Rael cita exemplos de temperamentos protetores e dóceis em raças como rottweilers e bulldogs. “Uma fêmea bulldog evita que a criança desça uma escada ou se aproxime da piscina. É um cuidado de mãe, literalmente”, explica.
O apelo do Rael Pet Center é para que a sociedade desmistifique preconceitos e conheça de perto esses animais. “Venham ver o quanto um pitbull pode ser brincalhão e carinhoso. É preciso olhar além dos estigmas”, conclui.





O Rael Pet Center segue como um espaço de acolhimento, reabilitação e esperança, enfrentando desafios legais e sociais, mas sempre com o compromisso de dar uma nova chance a cães que precisam de cuidado e respeito.



