Quantas opiniões diferentes costumamos ouvir antes de tomar uma decisão? É verdade que ouvir bons conselhos é sinal de sabedoria, mas até que ponto devemos dar atenção a cada opinião ou palpite que recebemos?
Lembrei, nesta semana, de um mini disco de vinil que ganhei da minha mãe quando tinha uns 6 ou 7 anos. Nele estava gravada a fábula O Velho, o Menino e o Burro.
A história começa quando o velho decide visitar sua irmã e leva consigo o burro e o neto. Os dois caminham ao lado do animal, até que algumas pessoas, rindo, comentam:
— “Vejam só, um velho e um menino andando a pé, enquanto o burro segue livre.”
Para evitar críticas, o velho coloca o menino sobre o burro. Pouco depois, uma mulher observa e diz:
— “Que menino mimado! Montado no burro enquanto o pobre velho caminha.”
O velho então troca de lugar com o neto. Mas logo outra senhora protesta:
— “Que absurdo! O menino a pé e o velhote montado.”
Tentando agradar, o velho coloca o menino junto de si no burro. Ao passarem por um grupo de amigos, ouvem:
— “Maldade! Um velho e um menino montados no pobre animal.”
Constrangidos, descem e decidem carregar o burro. A cena provoca risadas:
— “Não acredito! Em vez de montarem, carregam o burro!”
Cansado, o velho coloca novamente o neto sobre o animal e conclui:
— “Você vai sentado e eu sigo caminhando. Não vamos mais ouvir o que os outros dizem.”
A fábula mostra a impossibilidade de agradar a todos. Cada tentativa de seguir opiniões alheias trouxe apenas confusão e desgaste.
Nossas decisões sempre terão consequências, e somos nós que viveremos com elas. Conselhos sábios são bem-vindos, mas não podemos viver como o velho, o menino e o burro, tentando satisfazer cada voz ao redor.
Uma decisão verdadeiramente sábia nem sempre agradará a todos — e isso faz parte da vida.


