MP aponta ausência de provas de agressão e indica que morte do cão estaria ligada a condição de saúde preexistente, além de pedir arquivamento do caso.

Por Carlos Villela
(Folhapress) – O Ministério Público de Santa Catarina pediu o arquivamento das investigações sobre a morte do cão Orelha, ocorrida em janeiro na Praia Brava, em Florianópolis. Segundo a Promotoria, não há provas de agressão: os adolescentes investigados não estavam com o animal no momento dos fatos e os laudos apontam que a morte está ligada a uma condição de saúde preexistente, uma osteomielite decorrente de doença periodontal, e não a ferimentos.
A análise incluiu quase 2.000 arquivos digitais, como vídeos e dados de celulares, além de novos depoimentos. O MP concluiu que a versão da agressão surgiu de boatos e redes sociais, inclusive sobre um suposto vídeo que nunca existiu, o que teria direcionado indevidamente a investigação.
O relatório de 170 páginas foi encaminhado à Vara da Infância e Juventude. A Polícia Civil já havia concluído o inquérito e afirmou que a decisão sobre arquivamento cabe ao Ministério Público. A defesa dos adolescentes nega envolvimento e denuncia ameaças virtuais e disseminação de fake news.
O MP também anunciou que investigará possíveis irregularidades na condução do caso, vazamento de informações sigilosas e a monetização de conteúdos falsos. Já havia, inclusive, uma apuração contra o ex-delegado-geral Ulisses Gabriel por suspeita de improbidade administrativa, suspensa devido ao foro privilegiado.
Orelha foi encontrado ferido em 4 de janeiro e morreu no dia seguinte após eutanásia. Inicialmente, a polícia havia atribuído a morte a agressões, mas essa hipótese foi descartada.



