Mais do que uma obrigação fiscal, a declaração do Imposto de Renda pode gerar impacto social 

Por Jornalista Maria Helena 

Todos os anos, milhões de brasileiros acertam as contas com o Leão. Mas poucos percebem que, nesse mesmo processo, existe uma oportunidade concreta de direcionar parte do imposto devido para onde ele pode produzir efeito mais visível: ações voltadas à infância, à adolescência e à pessoa idosa. Em vez de apenas declarar, o contribuinte pode escolher destinar. 

É justamente esse ponto que merece mais atenção com a abertura do prazo da declaração do Imposto de Renda 2026, ano-base 2025, a partir da próxima segunda-feira, 23 de março. A entrega segue até 29 de maio, e, em meio à correria por informes, recibos e comprovantes, muita gente ainda ignora que parte do valor devido pode ganhar endereço definido dentro do próprio sistema da Receita. 

A palavra correta é essa: destinar. Não se trata de pagar mais, nem de assumir um custo extra. Trata-se de indicar que uma parcela do imposto devido seja direcionada aos fundos dos direitos da criança e do adolescente e aos fundos da pessoa idosa. É uma escolha legal, prevista no momento da declaração, mas ainda pouco incorporada à cultura tributária do país. 

Pelas regras da Receita Federal, quem faz a declaração no modelo completo pode destinar até 3% do imposto devido para os fundos da infância e adolescência e mais 3% para os fundos da pessoa idosa. O sistema gera os documentos para pagamento dentro do prazo, e os valores são abatidos do imposto devido. Ou seja: o contribuinte não desembolsa a mais por isso. (gov.br

A relevância desse mecanismo vai além da formalidade tributária. Em muitos municípios, esses recursos ajudam a sustentar projetos, atendimentos e iniciativas que fortalecem a rede de proteção social. É uma das poucas situações em que o cidadão consegue participar, ainda que parcialmente, da definição do destino de um recurso público que já sairia do seu bolso de qualquer maneira. 

Nesse processo, o contador exerce papel central. É ele quem orienta, esclarece e, muitas vezes, transforma uma possibilidade pouco conhecida em decisão efetiva. Quando apresenta essa alternativa ao cliente de forma clara, o contador não atua apenas como técnico responsável pela declaração. Atua também como elo entre o contribuinte e uma escolha de impacto social concreto. 

O que ainda falta, em muitos casos, não é previsão legal nem ferramenta disponível. É informação. Há contribuintes que nunca ouviram falar nessa possibilidade. Outros ainda confundem destinação com gasto adicional. Por isso, reforçar esse tema durante o período da declaração é mais do que prestação de serviço. É ampliar consciência sobre o uso inteligente do imposto devido. 

No fim, a declaração do Imposto de Renda pode ser apenas uma obrigação anual. Mas também pode ser uma oportunidade de escolha. E, diante de tantas demandas sociais, escolher destinar talvez seja a parte mais importante de todo esse processo. 

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