O mês de setembro é marcado por uma cor que carrega um peso histórico profundo para
milhares de brasileiros: o azul. O Setembro Azul não é apenas uma campanha de
conscientização estética; é um período de celebração, mas, acima de tudo, de luta e
resistência política. É nesse ecossistema de debates que se insere o Dia Nacional da
Pessoa Surda, comemorado anualmente em 26 de setembro. A escolha da data reconecta
o país a 1857, ano de fundação da primeira escola voltada à educação de surdos no Brasil,
o atual Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).
Mais do que celebrar as conquistas, a data convoca a sociedade civil, o poder público e o
setor privado a uma autocrítica severa sobre as barreiras que ainda isolam a comunidade
surda no cotidiano. No Brasil, a Lei nº 10.436/2002 representou um marco civilizatório ao
reconhecer a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e
expressão. No entanto, a existência da lei não garante, por si só, a sua aplicabilidade
prática em balcões de hospitais, agências bancárias, salas de aula ou tribunais.
A verdadeira inclusão passa obrigatoriamente pela quebra do monopólio da oralidade.
Quando uma empresa ou órgão público deixa de oferecer intérpretes de Libras ou
tecnologias assistivas, ela está, na prática, silenciando e excluindo cidadãos de seus
direitos básicos de consumo, saúde e informação. Aprender ou disponibilizar Libras de
forma corrente é o caminho mais curto para democratizar espaços e acolher a diversidade
linguística e cultural.
Santa Catarina na Vanguarda do Setembro Azul
O cenário ganha contornos de protagonismo prático quando olhamos para as iniciativas que
emergem em Santa Catarina neste período. O estado vem desenhando passos
importantes na interiorização e solidificação da acessibilidade. Entidades do judiciário
catarinense, como o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), têm consolidado
serviços contínuos de intérpretes de Libras para assegurar o amplo acesso à justiça.
Paralelamente, a mobilização da sociedade civil catarinense demonstra sua vitalidade por
meio de polos regionais de apoio. Em Balneário Camboriú, a Associação de Surdos de
Balneário Camboriú (ASBAC) promove ciclos de palestras voltados a discutir a educação
bilíngue e o movimento surdocego. Já na capital, a Associação de Surdos da Grande
Florianópolis (ASGF) atua diretamente na inserção profissional e na garantia de direitos.
Iniciativas locais como estas provam que o futuro da inclusão depende da descentralização
das ações políticas, transformando o “Setembro Azul” de um manifesto de calendário em
uma prática diária de cidadania.




