Desde 2018, Sérgio Botelho Teixeira doou R$ 250 mil para campanhas eleitorais de Lúcio Mosquini, autor da proposta.

Uma investigação da BBC News Brasil revelou que o deputado federal Lúcio Mosquini (MDB-RO), autor de um projeto de lei que altera regras de fiscalização ambiental do IBAMA, recebeu doações de campanha de um empresário multado pelo próprio órgão. O projeto, que teve sua urgência aprovada pela Câmara dos Deputados, poderá ser votado diretamente em plenário, sem passar por comissões temáticas.
O empresário em questão é Sérgio Botelho Teixeira, sócio-diretor da empresa de laticínios responsável pela marca Italac. Teixeira doou R$ 150 mil à campanha de Mosquini em 2022, sendo o maior doador individual do parlamentar naquele pleito. A doação foi a única registrada em nome do empresário.
Em dezembro de 2025, uma fazenda no Tocantins da qual Teixeira é um dos proprietários foi multada em R$ 5,5 milhões pelo IBAMA. Segundo o órgão, os responsáveis pela propriedade impediram a regeneração da vegetação natural da reserva legal ao plantar pasto na área protegida. A defesa do empresário afirma que a multa decorre de um erro cadastral e que o caso está sendo analisado pela Justiça Federal.
Mosquini, que também é produtor rural, negou ter conhecimento da multa e afirmou que seu projeto visa proteger agricultores que, segundo ele, são injustiçados por fiscalizações sem direito à defesa. O deputado disse ainda que nunca discutiu projetos de lei com Teixeira, apesar da proximidade.
O projeto de lei apresentado por Mosquini propõe proibir o chamado “embargo remoto”, ou seja, a aplicação de sanções ambientais com base exclusivamente em imagens de satélite. Esse método tem sido uma ferramenta essencial para o IBAMA atuar em áreas de difícil acesso, especialmente na Amazônia, onde redes organizadas de desmatamento operam com logística complexa.
Segundo Jair Schmitt, diretor de Proteção Ambiental do IBAMA, a aprovação do projeto pode comprometer cerca de dois terços das autuações anuais do órgão, enfraquecendo significativamente a fiscalização ambiental no país.
Apesar da urgência aprovada, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que ainda não há previsão para a votação do projeto.



