Obras irregulares da Prefeitura de São Bonifácioprovocam desastre ambiental no Rio Sete

Um servidor público federal denunciou ao Ministério Público Federal (MPF) graves danos
ambientais causados pela Prefeitura de São Bonifácio, em Santa Catarina. Segundo a
representação, desde 2021 o município realiza obras sem licenciamento na Estrada Geral
Rio Sete, lançando rochas, barro e entulhos diretamente no leito do rio e suprimindo a
vegetação ciliar — área de preservação permanente.
Assoreamento e isolamento da comunidade
As intervenções resultaram em assoreamento do curso hídrico, represamento e
transbordos frequentes. Com qualquer chuva, mesmo de baixa intensidade, a estrada fica
submersa, isolando moradores e impedindo o deslocamento do servidor até a Procuradoria
da República em Tubarão.
Ônibus escolares, veículos da saúde e caminhões são obrigados a atravessar trechos
alagados, expondo a população a risco iminente de acidentes.
Impactos sociais e econômicos
Além da ameaça à integridade física, o transbordo paralisa a economia local. Propriedades
agrícolas ficam cobertas por lama e pastagens são inutilizadas. Uma empresa de confecção
da comunidade chegou a encerrar suas atividades após permanecer quase 30 dias isolada.
Reincidência e agravamento
Em 2025, a Prefeitura voltou a despejar rejeitos e promover desmatamento completo das
margens do rio, agravando o assoreamento e os riscos de inundação. Imagens anexadas à
denúncia mostram retroescavadeiras despejando sedimentos e rochas no leito hídrico.
Pedido ao Ministério Público
Na representação, o servidor solicita:
● Adoção de medidas cautelares urgentes, com paralisação das obras e execução
de um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD);
● Vistoria técnica ambiental para constatar os danos;
● Fiscalização imediata pelo IMA/SC, IBAMA e Polícia Militar Ambiental;
● Propositura de Ação Civil Pública para reparação integral do ecossistema.
O documento também pede que a representação seja vinculada ao processo já em curso no
MPF, que trata das dificuldades de deslocamento do servidor, registrando oficialmente os
prejuízos materiais e o risco à sua integridade física.
�� O que diz o autor
Juliano Junior Heerdt, servidor público e autor da denúncia, reforça que o problema não é
individual, mas de toda a comunidade:

● Economia afetada: Uma fábrica de confecção fechou, deixando 15 pessoas
desempregadas. Empresas tradicionais, como a Cerâmica Schmidt, também
sofrem com paralisações.
● Direito de ir e vir: “Qualquer chuva impossibilita o deslocamento. Eu mesmo tenho
que justificar minhas ausências ao MPF por não conseguir chegar ao trabalho.”
● Risco às crianças: Vans escolares atravessam trechos alagados com estudantes,
situação que ele considera “um absurdo”.
● Omissão do poder público: Denúncias anteriores foram arquivadas, e novas
intervenções agravaram o assoreamento.
● Preocupação futura: Ele alerta que fenômenos climáticos como o El Niño podem
tornar os alagamentos ainda mais frequentes e perigosos.
● Sem viés político: Juliano destaca que sua representação não tem caráter
partidário, mas busca apenas restabelecer o equilíbrio ambiental e garantir
segurança à comunidade.

Linha do tempo do desastre no Rio Sete
● 2021 – Estrada Geral Rio Sete apresentava calha hídrica regular, margens
vegetadas e estabilidade geológica.
● 2022 – Primeiras intervenções da Prefeitura: detonação de rochas, supressão de
vegetação ciliar e despejo de sedimentos no leito do rio. Primeira denúncia
arquivada pelo MP estadual.
● 2023–2024 – Comunidade enfrenta alagamentos frequentes; empresa de confecção
paralisa atividades por mais de 30 dias e fecha as portas, causando perda de
empregos.
● 2025 – Novas obras irregulares: retroescavadeiras despejam rejeitos e rochas no rio,
agravando o assoreamento e destruindo a vegetação ciliar.
● 2026 – Situação se torna crônica: transbordos constantes isolam moradores,
interrompem transporte escolar e afetam empresas tradicionais como a Cerâmica
Schmidt. Representação protocolada no MPF pede medidas urgentes.

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