Por: Mayara Leite – Redatora Seo On
Palhoça – Uma professora da rede estadual de Palhoça vive dias de medo e reclusão após ter sido agredida pela mãe de um aluno na última sexta-feira (22). O episódio ocorreu depois que a pedagoga cobrou da criança mais cuidado com os materiais escolares. Desde então, a profissional não sai de casa e recebeu acompanhamento médico e psicológico.
Agressão após saída da escola
Segundo relato da vítima, a violência aconteceu quando ela retornava para casa a pé, acompanhada de uma colega de trabalho. A mãe do aluno a aguardava em uma rua sem saída.
“Ela estava me esperando, como de tocaia. Minha colega tentou me proteger, mas fui empurrada e hostilizada”, contou.
A professora registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) do município.
Cobrança sobre material escolar gerou conflito
O episódio teve início quando o aluno do 2º ano compareceu à escola sem a agenda, instrumento usado para comunicação entre pais e professores. A docente relatou que não era a primeira vez que a criança perdia ou esquecia materiais.
“Pedi que ele tivesse mais cuidado. A agenda foi encontrada e me entregue, então orientei para que ele cuidasse mais do material”, disse.
No entanto, dias depois, a direção informou que recebeu reclamações da mãe, que alegava que o filho teria sido hostilizado em sala de aula — algo negado pela professora.
Medo e afastamento das atividades
Por morar próxima da família do aluno, a educadora afirma não ter saído de casa desde o ocorrido. Ela solicitou medida protetiva de urgência, que foi reforçada pelo Núcleo de Educação, Prevenção, Atenção e Atendimento às Violências na Escola (Nepre), ligado à Secretaria de Estado da Educação (SED).
“Nunca passei por nada semelhante. Estou afastada, em acompanhamento médico e aguardando avaliação psiquiátrica. Revivo a cena a todo momento, sinto desproteção do Estado”, relatou.
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Sindicato denuncia recorrência de agressões
O Sinte-SC (Sindicato dos Trabalhadores em Educação) acompanha o caso e presta apoio à professora. O conselheiro regional Michel Flor afirmou já ter enfrentado situação semelhante na mesma escola, quando foi agredido por uma mãe durante uma aula.
“Em mais de 20 anos de carreira nunca tinha passado por isso. Infelizmente, não é um caso isolado”, destacou.
Nota da Secretaria da Educação
Em comunicado, a SED repudiou o episódio e informou que a equipe multiprofissional do Nepre está acompanhando todos os envolvidos.
“Cabe ressaltar que a intercorrência aconteceu fora do ambiente escolar e trata-se de um caso isolado, mas receberá toda a atenção necessária”, afirmou a nota.
Fonte: Portal Nd+