Por Maria Helena
Estive presente à solenidade desta segunda-feira (9). Um momento histórico para a capital catarinense. Não se tratou apenas da assinatura de documentos. Foi a materialização de um projeto que atravessou gestões, debates, resistências, ajustes e expectativas. O Parque Urbano e Marina Beira-Mar começa, oficialmente, a virar realidade.
Ao lado do governador Jorginho Mello, o prefeito Topázio Neto assinou a licença ambiental e o alvará de construção que autorizam o início das obras do Parque e Marina que tende a se tornar um dos maiores marcos urbanísticos recentes da Capital. Um investimento privado da ordem de R$ 350 milhões, que deverá gerar mais de dois mil empregos diretos e indiretos e redesenhar a relação de Florianópolis com sua orla central.

Não é pouca coisa
O projeto prevê um parque urbano de grande porte, com cerca de 140 mil metros quadrados, inserido em uma área total de concessão de 440 mil metros quadrados, dividido em três setores e integrado a uma marina com mais de 600 vagas para embarcações, parte delas com acesso público. Na prática, estamos falando da maior transformação da região desde o aterro que possibilitou a implantação da Avenida Beira-Mar Norte, nos anos 1960.
Durante a cerimônia, chamou atenção a ênfase em um conceito que vai além da estética: a criação de um espaço vivo, ativo, multifuncional. Playgrounds, academias ao ar livre, pista de esportes radicais em padrão olímpico, quadras, áreas de areia, quiosques, arquibancadas, rampas náuticas, espelhos d’água interativos, gramados, espaços para esportes de mesa e áreas gastronômicas. Um conjunto pensado para convivência, lazer, turismo, serviços e mobilidade.
Aliás, a mobilidade é um ponto-chave. A reforma do trapiche existente, a previsão de uso como modal de transporte público marítimo, os novos pontos de ônibus, bolsões para turismo e a adaptação da marginal para futura inserção do BRT revelam que o parque não nasce isolado. Ele dialoga com a cidade real, com seus gargalos e necessidades.
Mais do que um equipamento urbano, o Parque Urbano e Marina Beira-Mar simboliza uma mudança de mentalidade. Florianópolis, por décadas, cresceu de costas para a água, apesar de ser uma ilha. A proposta de centralizar atividades náuticas, lazer, serviços e transporte marítimo em um mesmo espaço aponta para um reposicionamento estratégico: reconectar a cidade ao seu maior ativo natural.
Há, ainda, um aspecto que considero essencial destacar: o tempo das cidades. Projetos estruturantes exigem maturação, persistência e capacidade de atravessar ciclos políticos. O fato de este empreendimento finalmente avançar demonstra que, quando há convergência institucional e segurança jurídica, é possível romper a lógica do eterno recomeço.
A previsão é de que a primeira etapa — aterro, principais equipamentos públicos e jardinagem — seja entregue em dois anos e meio. A marina, em mais um ano e meio. Se os prazos forem cumpridos, Florianópolis inicia a próxima década com um novo cartão-postal e, mais importante, com um novo modo de viver a cidade.
Para além dos números, do traçado arquitetônico e dos discursos, ficou a sensação de que este 9 de fevereiro entra para a história como o dia em que a Capital decidiu acelerar o próprio tempo — e, finalmente, olhar para o mar como horizonte de futuro.



